Estude com redações nota mil no Enem

Apenas 55 candidatos alcançaram a nota máxima na elaboração de um texto dissertativo na edição 2019 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Se você estiver se preparando para a próxima edição da prova, aproveite para estudar com as redações nota mil no Enem.

O Enem 2019 acontecerá nos dois primeiros domingos de novembro e tem na redação uma das principais notas que pode servir como porta de entrada para o ensino superior.

Um destaque desta edição do Enem é que foram mais de 4 milhões de candidatos, para apenas 55 conseguiram elaborar redações nota mil. Desses, 44 foram produzidas por mulheres.

Tema da redação do Enem 2018

Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Confira duas redações nota mil

Redação nota mil no Enem 2018 – Clara de Jesus, 19 anos

“Black Mirror” é uma série americana que retrata a influência da tecnologia no cotidiano de uma sociedade futura. Em um de seus episódios, é apresentado um dispositivo que atua como uma babá eletrônica mais desenvolvida, capaz de selecionar as imagens e sons que os indivíduos poderiam vivenciar. Não distante da ficção, nos dias atuais, existem algoritmos especiais ligados em filtrar informações de acordo com a atividade “online” do cidadão.

Por isso, torna-se necessário o debate acerca da manipulação comportamental do usuário pelo controle de dados na internet.

Primeiramente, é notável que o acesso a esse meio de comunicação ocorre de maneira, cada vez mais, precoce. Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, no ano de 2017, apenas 35% dos entrevistados, que apresentavam idade igual ou superior a 10 anos, nunca haviam utilizado a internet. Isso acontece porque desde cedo a criança tem contato com aparelhos tecnológicos que necessitam da disponibilidade de uma rede de navegação, que memoriza cada passo que esse jovem indivíduo dá para traçar um perfil de interesse dele e, assim, fornecer assuntos e produtos que tendem a agradar ao usuário. Dessa forma, o uso da internet torna-se uma imposição viciosa para relações sócio-econômicas.

Em segundo lugar, o ser humano perde sua capacidade de escolha. Conforme o conceito de “Mortificação do Eu”, do sociólogo Erving Goffman, é possível entender o que ocorre na internet que induz o indivíduo a ter um comportamento alienado. Tal preceito afirma que, por influência de fatores coercitivos, o cidadão perde seu pensamento individual e junta-se a uma massa coletiva. Dentro do contexto da internet, o usuário, sem perceber, é induzido a entrar em determinados sites devido a um “bombardeio” de propagandas que aparece em seu dispositivo conectado. Evidencia-se, portanto, uma falsa liberdade de escolha quanto ao que fazer no mundo virtual.

Com o intuito de amenizar essa problemática, o Congresso Nacional deve formular leis que limitem esse assédio comercial realizado por empresas privadas, por meio de direitos e punições aos que descumprirem, a fim de acabar com essa imposição midiática. As escolas, em parceria com as famílias, devem inserir a discussão sobre esse tema tanto no ambiente doméstico quanto no estudantil, por intermédio de palestrantes, com a participação de psicólogos e especialistas, que debatam acerca de como agir “online”, com o objetivo de desenvolver, desde a infância, a capacidade de utilizar a tecnologia a seu favor. Feito isso, o conflito vivenciado na série não se tornará realidade.

Redação nota mil no ENEM 2018 – Lucas Felpi, 17 anos

É fato que a tecnologia revolucionou a vida em sociedade nas mais variadas esferas, a exemplo da saúde, dos transportes e das relações sociais. No que concerne ao uso da internet, a rede potencializou o fenômeno da massificação do consumo, pois permitiu, por meio da construção de um banco de dados, oferecer produtos de acordo com os interesses dos usuários. Tal personalização se observa, também, na divulgação de informações que, dessa forma, se tornam, muitas vezes, tendenciosas. Nesse sentido, é necessário analisar tal quadro, intrinsecamente ligado a aspectos educacionais e econômicos.

É importante ressaltar, em primeiro plano, de que forma o controle de dados na internet permite a manipulação do comportamento dos usuários. Isso ocorre, em grande parte, devido ao baixo senso crítico da população, fruto de uma educação tecnicista, na qual não há estímulo ao questionamento. Sob esse âmbito, a internet usufrui dessa vulnerabilidade e, por intermédio de uma análise dos sites mais visitados por determinado indivíduo, consegue rastrear seus gostos e propor notícias ligadas aos seus interesses, limitando, assim, o modo de pensar dos cidadãos. Em meio a isso, uma analogia com a educação libertadora proposta por Paulo Freire mostra-se possível, uma vez que o pedagogo defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e, dessa forma, libertar o indivíduo da situação a qual encontra-se sujeitado – neste caso, a manipulação.

Cabe mencionar, em segundo plano, quais os interesses atendidos por tal controle de dados. Essa questão ocorre devido ao capitalismo, modelo econômico vigente desde o fim da Guerra Fria, em 1991, o qual estimula o consumo em massa. Nesse âmbito, a tecnologia, aliada aos interesses do capital, também propõe aos usuários da rede produtos que eles acreditam ser personalizados. Partindo desse pressuposto, esse cenário corrobora o termo “ilusão da contemporaneidade” defendido pelo filósofo Sartre, já que os cidadãos acreditam estar escolhendo uma mercadoria diferenciada mas, na verdade, trata-se de uma manipulação que visa ampliar o consumo.

Infere-se, portanto, que o controle do comportamento dos usuários possui íntima relação com aspectos educacionais e econômicos. Desse modo, é imperiosa uma ação do MEC, que deve, por meio da oferta de debates e seminários nas escolas, orientar os alunos a buscarem informações de fontes confiáveis como artigos científicos ou por intermédio da checagem de dados, com o fito de estimular o senso crítico dos estudantes e, dessa forma, evitar que sejam manipulados.V isando ao mesmo objetivo, o MEC pode, ainda, oferecer uma disciplina de educação tecnológica nas escolas, através de sua inclusão na Base Comum Curricular, causando um importante impacto na construção da consciência coletiva. Assim, observar-se-ia uma população mais crítica e menos iludida.

Como se preparar para fazer redações nota mil?

  • Fique atento aos temas da atualidade
  • Faça citações filosóficas
  • Treine e faça novas redações
  • Tome cuidado para não fugir do tema

Dependendo de quando você estiver lendo este artigo sobre as redações nota mil no ENEM 2018, vai faltar muito ou pouco tempo para a próxima edição da prova.

Diante disso, o tempo de preparo pode ficar comprometido. Mas isso não é desculpa para deixar de treinar. Leia os exemplos de redações nota mil que apresentamos acima e tente entender como as autoras mantiveram a coesão e coerência com o tema proposto.

Aprenda como tirar nota mil na redação do Enem

Redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que tiraram a nota máxima têm pelo menos seis pontos em comum:

  • demonstram domínio da modalidade escrita formal;
  • respeitam os direitos humanos;
  • têm proposta de intervenção para o problema apresentado no tema;
  • têm repertório sociocultural;
  • atendem ao tipo textual dissertativo-argumentativo;
  • apresentam as características textuais fundamentais, como coesão e coerência. 

Esses foram os aspectos destacados por especialistas do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) que comentaram sete redações que tiraram a nota mil no Enem 2018.

O tema da redação do ano passado foi Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet. 

As redações nota mil e os comentários dos especialistas estão na Cartilha do Participante, disponível no site do Inep.

A cartilha traz também exemplos de trechos que fizeram com que os participantes zerassem as competências analisadas pelos corretores. Cada uma das cinco competências vale 200 pontos. 

Um dos quesitos é respeito aos direitos humanos. De acordo com o Inep, são consideradas desrespeito aos direitos humanos propostas que incitam as pessoas à violência, ou seja, aquelas em que transparece a ação de indivíduos na administração da punição – por exemplo, as que defendem a “justiça com as próprias mãos”. 

No ano passado, zeraram essa competência os textos que incitavam tortura e cárcere privado a pessoas que faziam o uso do controle de dados para a manipulação, que promoviam censura e vigilância em massa, que impediam a liberdade de acesso à informação e comunicação de qualquer pessoa ou grupo e que negavam direitos humanos a qualquer pessoa.

Algumas dicas, de acordo com a cartilha, são importantes para ir bem na prova. O Inep aconselha: “Procure escrever sua redação com letra legível, para evitar dúvidas no momento da avaliação. Redação com letra ilegível poderá não ser avaliada”.

Cinco competências avaliadas na redação do Enem

  • demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa;
  • compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa;
  • selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista;
  • demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação;
  • elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Motivos para zerar a redação do Enem

A nota zero na redação impede o candidato de participar de processos seletivos do Ministério da Educação (MEC) como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que seleciona estudantes para vagas em universidades públicas, e o Programa Universidade para Todos (ProUni), que oferece bolsas de estudos em instituições privadas de ensino superior, e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). 

De acordo com o Inep, a redação do Enem receberá nota zero se apresentar uma das características a seguir: fuga total ao tema, não obediência à estrutura dissertativo-argumentativa, texto de até sete linhas, cópia integral de textos da prova de redação ou do caderno de questões, impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação em qualquer parte da folha de redação, números ou sinais gráficos fora do texto e sem função clara ou parte deliberadamente desconectada do tema proposto.

Veja os temas da redação de edições anteriores do Enem

  • Enem 2009: O indivíduo frente à ética nacional
  • Enem 2010: O trabalho na construção da dignidade humana
  • Enem 2011:  Viver em rede no século XXI: Os limites entre o público e o privado
  • Enem 2012: O movimento imigratório para o Brasil no século XXI
  • Enem 2013:  Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil
  • Enem 2014: Publicidade infantil em questão no Brasil
  • Enem 2015: A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
  • Enem 2016: Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil e Caminhos para combater o racismo no Brasil – Neste ano houve duas aplicações do exame.
  • Enem 2017: Desafios para formação educacional de surdos no Brasil
  • Enem 2018: Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
  • Enem 2019: Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Depois de ler exemplos de redações nota mil no ENEM, aproveite também para as mudanças no vestibular 2020 da Unicamp e as leituras obrigatórias para o próximo processo seletivo da UFRGS.

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